04/04/2012

Mestre Rumi

- A NOITE DE NÚPCIAS (A UNIÃO) -

Esta noite iremos para o lugar da eternidade.
Esta é a noite de núpcias -
uma união que nunca acaba
do amante e do Amado.
Sussurramos doces segredos um para o outro
e o universo-criança
respira pela primeira vez
E então? Você deseja colocar seu pescoço no grilhão do amor?
Bem, então não reclame da dor e da dificuldade
Apenas vá em direção à isso com a mente calada
No final o seu grilhão enferrujado
Se transformará em uma corrente de ouro
Agora que você está livre deste mundo
O que o faz pensar
que pode permanecer separado dele?
Você não sabe?
No momento em que você se transformou na lua,
você se transformou na mais visível luz do céu
Meu coração se purifica na Sua doce água;
Agora meu amor desabrocha sem espinhos.
Eu ouço que esse amor
é a chave para cada coração.
Mas se não há fechaduras,
para que falar de chaves?
Você deseja a união?
União não é algo que pode ser encontrado no chão
ou comprada no mercado.
A união vem apenas às custas da vida
De outro modo, qualquer pessoa
poderia alcançar a união.
A cada passo que dou
me desfaço de mais um vínculo.
Eu dou uma centena de passos,
os véus caem,
O Amado aparece -
maravilhoso, radiante -
Estou ardendo em paixão!
Oh irmão, você não vê?
É por mim mesmo que eu me apaixono!
Oh Amor,
Quando procuro por você
Eu o encontro procurando por mim.
Quando olho em volta
Encontro os cachos de seu cabelo
em minhas mãos.
Eu sempre pensei que estava bêbado em seu vinho,
Agora eu descobri que seu vinho estava bêbado de mim.
Eu sou o espelho e a face nele.
Eu sou o som e aquele que o canta.
Eu sou a doença e a cura.
Eu sou a doce água
e o copo cheio até a borda.
Sem olhar
eu posso ver todas as coisas dentro de mim.
Por que eu deveria incomodar meus olhos
Agora que posso ver o mundo todo com os Seus?
Um dia nossas almas serão uma
E nossa união será para sempre.
Eu sei que tudo o que dou para você
volta para mim.
Então, eu lhe dou minha vida
esperando que seja Você
a voltar para mim.
Você pede lucro -
não fuja do freguês.
Você pede a lua -
não fuja da noite.
Você pede pela rosa -
não fuja dos espinhos.
Você pede pelo Amado -
não fuja de você.
Não procure por Deus,
Procure por aquele
que procura por Deus.
Mas por que procurar afinal?
Ele não está perdido,
Ele está exatamente aqui,
Tão próximo quanto o próprio ar.
O som maravilhoso
que vem do céu - sou eu.
A doce fragrância
que vem do jardim - sou eu.
A grande beleza
que vem do coração e da alma
Até que eu saia…espere!
Eu não posso sair - sou eu.
Estou preenchido com esplendor,
girando com seu amor.
Parece que estou girando ao seu redor
mas não - eu giro ao redor de mim mesmo.
Durante o dia eu rezava para você
e não sabia.
Durante a noite eu ficava com você
e não sabia.
Eu sempre pensei que eu era eu - mas não,
Eu era você
e não sabia!
Um passo em direção ao seu próprio coração
é um passo em direção ao Amado.
Nesta casa de espelhos
você vê muitas coisas -
Limpe seus olhos,
somente você existe.
Existe uma força interna
Que dá a você a vida -
procure-a.
Em seu corpo
Jaz uma gema sem preço -
procure-a.
Oh sufi andarilho,
se você deseja encontrar
o maior dos tesouros
Não olhe para fora,
Olhe para dentro e encontre-O.
Todo o meu falar é loucura,
cheio de sim's e não's
Durante muito tempo eu bati na porta -
quando ela se abriu eu descobri
que estava batendo por dentro!
Venha, por favor, venha
Seja você quem for
Religioso, infiel, herético ou pagão
Mesmo que tenha feito promessas uma centena de vezes
Mesmo que tenha quebrado suas promessas uma centena de vezes
Esta caravana não é a caravana do desespero
Esta porta está aberta para todos.
Venha, venha seja você quem for.

05/12/2011

ASPIRAÇÃO

“Alquimizar e curar a relação masculino-feminino 
é a iniciação do nosso tempo e o fundamento do mundo 
ao qual a nossa alma aspira. 
Para além e a através de uma união mais íntima 
do que o conceito solar – lunar, mulher ou homem.”

- Diana Bellego -

20/11/2011

- Yab_Yum -

- A_Unidade_dos_Mistérios -


Ainda que sujeito à degenerescência que todo o conhecimento se encontra em cada época e lugar, a vasta Sabedoria do Oriente não parece subordinado a meias-medidas, e os seus tesouros se mutiplicam nas diversas culturas ali existentes, sempre com um destaque todo especial para a Índia, a Bharata sagrada cuja essência é Sanat Dharma, a Verdade Eterna, uma sabedoria dotada do dom da globalidade. Talvez por isto, é que os orientais não hesitaram em valorizar as parelhas divinas e apresentar os seus deuses junto a consortes, por vezes mesmo em posições sexuais, seguramente para muito além dos símbolos, sabedores como tem sido sempre de todas as dimensões do amor e da unidade inextrincável das polaridades no Universo. Muitos dos tesouros do Hinduísmo, migraram para outras religiões que ficaram assim de algum modo a ela incorporadas, como é o caso do Budismo em especial, cujo fundador acabou sendo incluído entre os avatares de Vishnu. Ora, uma das formas mais originais de representar a Unidade dos Mistérios no Budismo, é através da parelha tântrica Yab-Yum (“Mãe-Pai”), representando a junção necessária do Método e da Sabedoria. A separação destas dimensões tem sido sempre uma verdadeira tragédia para toda a espiritualidade, gerando fanáticos religiosos de um lado, e feiticeiros ocultistas de outro lado. Esta dualidade do saber espiritual, se apresenta em outras tradições e sob novas interpretações, sendo também o Cálice e a Espada do celtismo cristão, ou mesmo a Óstia e o Cálice dos mistérios eucarísticos (já instaurados por Melquisedec, junto a Abrahão, cf. Genesis 14:18).

Naturalmente, a forma como se entende “método” e “sabedoria” no Budismo, pode variar de escola para escola (na esotérica linha Kagyu-pa, a prática é apoiada geralmente nas Seis Iogas de Naropa), como afinal dá margem acontecer a metafórica e esotérica “linguagem do crepúsculo” dos mistérios tibetanos, tal como também pode variar o entendimento do tantrismo segundo as diferentes ramas locais (via seca, via úmida, etc). Todavia, o masculino se associa ao “método”, geralmente entendido como compaixão (karuna), os meios hábeis (upaya-Kausalya), enquanto que o feminino é a “sabedoria” (prajna), capaz de ser vista como o “vazio” (sunya) ou como as “Perfeições” (Paramitas ou “que leva à outra margem”), as seis vias éticas do Budismo Mahayana, a saber: dana (generosidade), sila (moralidade), shanti (paciência), virya (esforço), dhyana (meditação) e prajna (sabedoria). Por vezes se acrescentam outras quatro vias. A Sabedoria envolve a ética e a consciência própria, assim como a consagração da vontade, ao passo que o Método representa a técnica, geralmente associada à prática da meditação. O recurso ao sistema budista Mahayana não é casual, pois tantrismo significa “enlaçar”, “combinar”, visando assim sínteses, do qual o próprio Yab-Yum pode ser considerado um símbolo maior. Vale lembrar também que, no Hinduísmo, o Yab-Yum representa o iogue tântrico ativando a força da shakty kundalini, cuja ascensão leva à iluminação plena, através dos métodos apropriados do ocultismo iogue e do redirecionamento da energia sexual.

A síntese dos Três Caminhos

Assim, a questão da Sabedoria já vinha sendo bastante trabalhado pela Escola Mahayana –o “Grande Caminho” ou a Escola do Lótus-, inclusive a busca de Sunya, sempre tão enfatizada pelo Zen Budismo. Devido à sua valorização especial (mas não exclusiva) do método ou da técnica ocultista, o Budismo tibetano também é conhecido como sistema Vajrayana ou “o Caminho Veloz”, que é a Escola da Jóia (vajra), não obstante às vezes ser considerado como uma variante do Mahayana que enfatiza a questão do método e a busca da iluminação. O que também representa uma meta sabida da Escola Original do Budismo, o Theravada ou “Antigo”, chamado Hinayana ou “Pequeno Caminho” pelas outras Escolas, que por vezes também o designa como “O Caminho do Olho”, quer dizer, uma concepção mental, mais voltada para a busca da auto-salvação. Nos comentários de “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, temos as seguintes considerações: «As duas escolas da doutrina do Buddha, a esotérica e a exotérica, são chamadas respectivamente: Doutrina do ‘Coração’ e Doutrina do ‘Olho’. Bodhidharma (um grande Arhat) as denominou na China (desde onde chegaram os nomes ao Tibet) Tsung-men (escola esotérica) e Kiau-men (escola exotérica). A primeira é chamada assim por razão de ser os ensinamentos emanadas do coração de Gautama Buddha; enquanto que a doutrina do ‘Olho’ foi obra de sua cabeça ou cérebro. A ‘Doutrina do Coração’ é denominada também ‘selo da verdade’ o ‘verdadeiro selo’, símbolo que se encontra encabeçando quase todas as obras esotéricas.» Bodhidharma foi um monge budista indiano que introduziu a meditação budista na China no século V d.C., ficando conhecido como criador do Zen Budismo, o qual recebe não obstante uma nítida influência local taoísta. Assim, esta tradição antecede a própria fundação do Tibet, e apesar do Budismo Vajrayana haver sido codificado no norte da Índia mesma (talvez na própria época do primeiro patriarca do Zen), ele ainda não entraria nas primitivas considerações sobre o Caminho. O Vajrayana também é conhecido como Budismo Esotérico, Tantrayana por empregar os Tantras e como Mantrayana, por valorizar o Mantra, essência sonora da técnica ocultista, sempre muito explorada no Tibet.

A partir disto tudo, podemos facilmente associar as Escolas do budismo aos grandes princípios místicos de Som, Luz e Amor, aos quais estruturam a Mônada e definem a base das três iniciações humanas. A iluminação completa apenas pode ser alcançada através da conjunção destes três fatores, porque a Mônada ou a Centelha divina está composta por todos eles, vindo a desmembrar a sua unidade em favor da manifestação da consciência material, e cabendo todavia proceder a sua reintegração no retorno à unidade. As três correntes (Nadis) de Kundalini, representam afinal estas mesmas energias polarizadas, destinadas a se fundir para gerar o Matrimônio místico ou as Bodas alquímicas. Logo, podemos relacionar estas grandes Escolas do budismo às três iniciações áryas, considerando inclusive a lógica construtiva da iniciação gradual.

a. Hinayana ... Escola do Olho ..... Luz .. Ida (Nadi Lunar) ..... Sul da Índia (paralelo 10)
b. Mahayana .. Escola do Lótus ... Amor .. Suchumna (Nadi neutro) ... Centro da Índia (paralelo 20)
c. Vajrayana .. Escola da Jóia ...... Som .. Pingala (Nadi solar) ..... Norte da Índia (paralelo 30)

Nota-se assim, que a premência de unir a sabedoria com a técnica representou uma demanda árya,visando apurar os elevados desafios da iniciação solar. A tendência humana ao fator emocional é nata, devido à própria natureza da humanidade como reino quaternário. Por isto, a evolução árya demandou um auxílio especial da Hierarquia, que viu nesta raça a oportunidade para dar início à revelação dos Mistérios Maiores, ou seja, aquilo que existe “para além da outra margem” da iluminação, o que pode envolver a própria Civilização em suas metas mais elevadas. Contudo, hoje vivemos um novo momento racial, e após 2012 no calendário ocidental (quiçá, após 2025 no calendário oriental), uma nova raça-raiz surge nos horizontes da Terra, com suas renovadas possibilidades de iniciação. Na verdade, a quarta iniciação se trata já de uma iluminação verdadeira, alcançada através da apuração das técnicas áryas de ocultismo, sobre as bases das outras energias “tântricas”.

Como sempre acontece, esta nova iniciação surgirá como uma possbilidade natural da evolução coletiva, e também como uma necesidade histórica, visando oferecer respostas às demandas do mundo, inclusive as crises ambientais típicas da transição das raças (dilúvio, etc), geradas pelo materialismo desequilibrador do Kali Yuga. A iluminação é o mundo do fogo, e sua técnica pode ser descrita sumariamente através do ditado hermético rosacruz “para teres acesso ao fogo, acende uma chama”. Esta chama deve ser como a do fogo trino, com som, luz e amor. O som é descrito como o upadhi (veículo) da energia, por isto o cisne Hamsa é o veículo de Brahma, o deus Criador, e sua consorte é Saraswati, a deusa do conhecimento e da música (ou das artes). Através do Som sagrado (o OM), da beleza e da harmonia, se alcançam as chaves da superação do universo criado e se tem acesso ao incriado, ao eterno portanto. Que é a meta do universo Futuro de evolução.

Da obra "Símbolos, Mitos e Dogmas do Budismo", LAWS

19/11/2011

Para Hilda...


Mulher, o que é de sua vaidade - que é céu e inferno -
que é de sua verdade, de seu olhar terno
para meu enfermo centro, onde moro, onde latejo,
onde me demoro na ausência e pejo, onde te remôo entre
meus preconceitos, onde concebo o plausível e o imensurável...

Me abençoou com um alívio imemorial, águas lívidas de sua tez,
lágrima consensual, sal, suor, o sensorial; não mais.

Tudo o que se sabe é quem ousa defender o incognoscível,
tudo o que postulamos em nossos vãos devaneios - caindo, caindo -
e Hilda em sua cândida simetria realizou a dualidade intrínseca.

Desejo se ser outra, que não essa que me vem pela janela aberta,
brisa fria que arrepia minhas madrugadas alquímicas, o céu a refletir
a luz sanguínea das avenidas, fluxo ininterrupto, caos irreversível.

Desejo a via cardíaca, percorro em meu ritmo o caminho
que se propaga, nossa chaga, nossa pena, palavra que sangra
pela mesma fenda, senda, sanha, delícia e tormenta... Propaga-se...

TAU

04/11/2011

Hilda_Hilst


“Daqui onde estou posso ouvi-lo pensando da lucidez de um instante à opacidade de infinitos dias, posso ouvi-lo pensando nas diversas formas de loucura e suicídio. A loucura da busca, essa feita de círculos concêntricos e nunca chegando ao centro, a ilusão encarnada ofuscante de encontrar e compreender. A loucura da recusa, de um dizer tudo bem, estamos aqui e isto nos basta, recusamo-nos a compreender. A loucura da paixão, o desordenado aparentando ser luz na carne, o caos sabendo à delícia, a idiotia simulando afinidades. A loucura do trabalho e do possuir. A loucura do aprofundar-se depois olhar à volta e ver o mundo mergulhado em matança e vaidade, estar absolutamente sozinho no mais profundo. Amós está? Daqui onde estou posso ouvi-lo pensando como devo matar-me? Ou como devo matar em mim as diversas formas de loucura e ser ao mesmo tempo compassivo e lúcido, criativo e paciente, e sobreviver?”


http://www.hildahilst.com.br/

29/10/2011

15. Condicionamento

Zen Tarot Card

A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade. Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha. A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? Apenas os leões andam sós. Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente. A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.

Osho One Seed Makes the Whole Earth Green Chapter 4

Comentário:

Esta carta lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão - a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade. É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente - tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você.