5 de dez de 2011

ASPIRAÇÃO

“Alquimizar e curar a relação masculino-feminino 
é a iniciação do nosso tempo e o fundamento do mundo 
ao qual a nossa alma aspira. 
Para além e a através de uma união mais íntima 
do que o conceito solar – lunar, mulher ou homem.”

- Diana Bellego -

20 de nov de 2011

- Yab_Yum -

- A_Unidade_dos_Mistérios -


Ainda que sujeito à degenerescência que todo o conhecimento se encontra em cada época e lugar, a vasta Sabedoria do Oriente não parece subordinado a meias-medidas, e os seus tesouros se mutiplicam nas diversas culturas ali existentes, sempre com um destaque todo especial para a Índia, a Bharata sagrada cuja essência é Sanat Dharma, a Verdade Eterna, uma sabedoria dotada do dom da globalidade.

Talvez por isto, é que os orientais não hesitaram em valorizar as parelhas divinas e apresentar os seus deuses junto a consortes, por vezes mesmo em posições sexuais, seguramente para muito além dos símbolos, sabedores como tem sido sempre de todas as dimensões do amor e da unidade inextrincável das polaridades no Universo. Muitos dos tesouros do Hinduísmo, migraram para outras religiões que ficaram assim de algum modo a ela incorporadas, como é o caso do Budismo em especial, cujo fundador acabou sendo incluído entre os avatares de Vishnu.

Ora, uma das formas mais originais de representar a Unidade dos Mistérios no Budismo, é através da parelha tântrica Yab-Yum (“Mãe-Pai”), representando a junção necessária do Método e da Sabedoria. A separação destas dimensões tem sido sempre uma verdadeira tragédia para toda a espiritualidade, gerando fanáticos religiosos de um lado, e feiticeiros ocultistas de outro lado. Esta dualidade do saber espiritual, se apresenta em outras tradições e sob novas interpretações, sendo também o Cálice e a Espada do celtismo cristão, ou mesmo a Óstia e o Cálice dos mistérios eucarísticos (já instaurados por Melquisedec, junto a Abrahão, cf. Genesis 14:18).

Naturalmente, a forma como se entende “método” e “sabedoria” no Budismo, pode variar de escola para escola (na esotérica linha Kagyu-pa, a prática é apoiada geralmente nas Seis Iogas de Naropa), como afinal dá margem acontecer a metafórica e esotérica “linguagem do crepúsculo” dos mistérios tibetanos, tal como também pode variar o entendimento do tantrismo segundo as diferentes ramas locais (via seca, via úmida, etc).

Todavia, o masculino se associa ao “método”, geralmente entendido como compaixão (karuna), os meios hábeis (upaya-Kausalya), enquanto que o feminino é a “sabedoria” (prajna), capaz de ser vista como o “vazio” (sunya) ou como as “Perfeições” (Paramitas ou “que leva à outra margem”), as seis vias éticas do Budismo Mahayana, a saber: dana (generosidade), sila (moralidade), shanti (paciência), virya (esforço), dhyana (meditação) e prajna (sabedoria). Por vezes se acrescentam outras quatro vias. A Sabedoria envolve a ética e a consciência própria, assim como a consagração da vontade, ao passo que o Método representa a técnica, geralmente associada à prática da meditação.

O recurso ao sistema budista Mahayana não é casual, pois tantrismo significa “enlaçar”, “combinar”, visando assim sínteses, do qual o próprio Yab-Yum pode ser considerado um símbolo maior. Vale lembrar também que, no Hinduísmo, o Yab-Yum representa o iogue tântrico ativando a força da shakty kundalini, cuja ascensão leva à iluminação plena, através dos métodos apropriados do ocultismo iogue e do redirecionamento da energia sexual.

A síntese dos Três Caminhos

Assim, a questão da Sabedoria já vinha sendo bastante trabalhado pela Escola Mahayana –o “Grande Caminho” ou a Escola do Lótus-, inclusive a busca de Sunya, sempre tão enfatizada pelo Zen Budismo. Devido à sua valorização especial (mas não exclusiva) do método ou da técnica ocultista, o Budismo tibetano também é conhecido como sistema Vajrayana ou “o Caminho Veloz”, que é a Escola da Jóia (vajra), não obstante às vezes ser considerado como uma variante do Mahayana que enfatiza a questão do método e a busca da iluminação. O que também representa uma meta sabida da Escola Original do Budismo, o Theravada ou “Antigo”, chamado Hinayana ou “Pequeno Caminho” pelas outras Escolas, que por vezes também o designa como “O Caminho do Olho”, quer dizer, uma concepção mental, mais voltada para a busca da auto-salvação.

Nos comentários de “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, temos as seguintes considerações: «As duas escolas da doutrina do Buddha, a esotérica e a exotérica, são chamadas respectivamente: Doutrina do ‘Coração’ e Doutrina do ‘Olho’. Bodhidharma (um grande Arhat) as denominou na China (desde onde chegaram os nomes ao Tibet) Tsung-men (escola esotérica) e Kiau-men (escola exotérica). A primeira é chamada assim por razão de ser os ensinamentos emanadas do coração de Gautama Buddha; enquanto que a doutrina do ‘Olho’ foi obra de sua cabeça ou cérebro. A ‘Doutrina do Coração’ é denominada também ‘selo da verdade’ o ‘verdadeiro selo’, símbolo que se encontra encabeçando quase todas as obras esotéricas.»

Bodhidharma foi um monge budista indiano que introduziu a meditação budista na China no século V d.C., ficando conhecido como criador do Zen Budismo, o qual recebe não obstante uma nítida influência local taoísta. Assim, esta tradição antecede a própria fundação do Tibet, e apesar do Budismo Vajrayana haver sido codificado no norte da Índia mesma (talvez na própria época do primeiro patriarca do Zen), ele ainda não entraria nas primitivas considerações sobre o Caminho. O Vajrayana também é conhecido como Budismo Esotérico, Tantrayana por empregar os Tantras e como Mantrayana, por valorizar o Mantra, essência sonora da técnica ocultista, sempre muito explorada no Tibet.

A partir disto tudo, podemos facilmente associar as Escolas do budismo aos grandes princípios místicos de Som, Luz e Amor, aos quais estruturam a Mônada e definem a base das três iniciações humanas. A iluminação completa apenas pode ser alcançada através da conjunção destes três fatores, porque a Mônada ou a Centelha divina está composta por todos eles, vindo a desmembrar a sua unidade em favor da manifestação da consciência material, e cabendo todavia proceder a sua reintegração no retorno à unidade.

As três correntes (Nadis) de Kundalini, representam afinal estas mesmas energias polarizadas, destinadas a se fundir para gerar o Matrimônio místico ou as Bodas alquímicas. Logo, podemos relacionar estas grandes Escolas do budismo às três iniciações áryas, considerando inclusive a lógica construtiva da iniciação gradual.

a. Hinayana ... Escola do Olho ..... Luz .. Ida (Nadi Lunar) ..... Sul da Índia (paralelo 10)
b. Mahayana .. Escola do Lótus ... Amor .. Suchumna (Nadi neutro) ... Centro da Índia (paralelo 20)
c. Vajrayana .. Escola da Jóia ...... Som .. Pingala (Nadi solar) ..... Norte da Índia (paralelo 30)

Nota-se assim, que a premência de unir a sabedoria com a técnica representou uma demanda árya,visando apurar os elevados desafios da iniciação solar. A tendência humana ao fator emocional é nata, devido à própria natureza da humanidade como reino quaternário. Por isto, a evolução árya demandou um auxílio especial da Hierarquia, que viu nesta raça a oportunidade para dar início à revelação dos Mistérios Maiores, ou seja, aquilo que existe “para além da outra margem” da iluminação, o que pode envolver a própria Civilização em suas metas mais elevadas.

Contudo, hoje vivemos um novo momento racial, e após 2012 no calendário ocidental (quiçá, após 2025 no calendário oriental), uma nova raça-raiz surge nos horizontes da Terra, com suas renovadas possibilidades de iniciação. Na verdade, a quarta iniciação se trata já de uma iluminação verdadeira, alcançada através da apuração das técnicas áryas de ocultismo, sobre as bases das outras energias “tântricas”.

Como sempre acontece, esta nova iniciação surgirá como uma possbilidade natural da evolução coletiva, e também como uma necesidade histórica, visando oferecer respostas às demandas do mundo, inclusive as crises ambientais típicas da transição das raças (dilúvio, etc), geradas pelo materialismo desequilibrador do Kali Yuga.

A iluminação é o mundo do fogo, e sua técnica pode ser descrita sumariamente através do ditado hermético rosacruz “para teres acesso ao fogo, acende uma chama”. Esta chama deve ser como a do fogo trino, com som, luz e amor. O som é descrito como o upadhi (veículo) da energia, por isto o cisne Hamsa é o veículo de Brahma, o deus Criador, e sua consorte é Saraswati, a deusa do conhecimento e da música (ou das artes).

Através do Som sagrado (o OM), da beleza e da harmonia, se alcançam as chaves da superação do universo criado e se tem acesso ao incriado, ao eterno portanto. Que é a meta do universo Futuro de evolução.

Da obra "Símbolos, Mitos e Dogmas do Budismo", LAWS

19 de nov de 2011

Para Hilda...


Mulher, o que é de sua vaidade - que é céu e inferno -
que é de sua verdade, de seu olhar terno
para meu enfermo centro, onde moro, onde latejo,
onde me demoro na ausência e pejo, onde te remôo entre
meus preconceitos, onde concebo o plausível e o imensurável...

Me abençoou com um alívio imemorial, águas lívidas de sua tez,
lágrima consensual, sal, suor, o sensorial; não mais.

Tudo o que se sabe é quem ousa defender o incognoscível,
tudo o que postulamos em nossos vãos devaneios - caindo, caindo -
e Hilda em sua cândida simetria realizou a dualidade intrínseca.

Desejo se ser outra, que não essa que me vem pela janela aberta,
brisa fria que arrepia minhas madrugadas alquímicas, o céu a refletir
a luz sanguínea das avenidas, fluxo ininterrupto, caos irreversível.

Desejo a via cardíaca, percorro em meu ritmo o caminho
que se propaga, nossa chaga, nossa pena, palavra que sangra
pela mesma fenda, senda, sanha, delícia e tormenta... Propaga-se...

4 de nov de 2011

Hilda_Hilst


“Daqui onde estou posso ouvi-lo 
pensando da lucidez de um instante 
à opacidade de infinitos dias, 
posso ouvi-lo pensando 
nas diversas formas de loucura e suicídio. 
A loucura da busca, 
essa feita de círculos concêntricos 
e nunca chegando ao centro, 
a ilusão encarnada ofuscante 
de encontrar e compreender. 
A loucura da recusa, 
de um dizer tudo bem, 
estamos aqui e isto nos basta, 
recusamo-nos a compreender. 
A loucura da paixão, 
o desordenado aparentando ser luz na carne, 
o caos sabendo à delícia, 
a idiotia simulando afinidades. 
A loucura do trabalho e do possuir. 
A loucura do aprofundar-se 
depois olhar à volta e ver o mundo 
mergulhado em matança e vaidade, 
estar absolutamente sozinho no mais profundo.
Amós está? Daqui onde estou posso ouvi-lo
pensando como devo matar-me? 
Ou como devo matar em mim 
as diversas formas de loucura 
e ser ao mesmo tempo 
compassivo e lúcido, 
criativo e paciente, e sobreviver?”


http://www.hildahilst.com.br/

1 de nov de 2011

O Tempo e suas Dimensões

O tempo é uma medida? De qual grandeza?


Compreender a natureza do tempo sempre foi um desafio para o homem.

Desde a remota antiguidade ele tenta entender
como um conceito pode ser concreto e abstrato ao mesmo tempo.
Pois assim é o tempo. Podemos mensurá-lo no aqui-agora ou no passado,
ou em um futuro hipotético se prevemos ou planejamos um acontecimento,
o nascimento de uma criança, por exemplo. Ao mesmo passo,
o tempo contém outras características misteriosas
e até mesmo desconhecidas para nós.
O conceito de eternidade, por exemplo.
Ou, ainda, o conceito de acaso - leia-se: sincronicidade.
Jung cunhou esse termo dentro da psicoterapia analítica
referindo-se à percepção do Tao pelo homem ocidental.
O tempo que se lança perpendicularmente fora
da linha passado-presente-futuro, dando-nos como por instantes
a dimensão da unidade - a visão das malhas de Maya
e a compreensão furtiva da eternidade.
Sim, a visão do plano do tempo pode ser
demonstrada pela linha imaginária que traçamos
tão facilmente em nossas mentes,
cortada pela linha da eternidade em seu centro - o agora
- e essa é uma das maiores lições que Jesus Cristo legou para a humanidade.
O tempo pode - e deve - ser vivenciado nesse plano 'atemporal',
o aqui-agora nos traz em infinitude de tudo que
podemos extrair de cada situação, e o olhar justo sobre todas as coisas
abrange à percepção desse mesmo ir e vir infinito.
Para o oriental, o tempo é cíclico.
A vida se sucede em reencarnações necessárias
para a apreensão humana das Leis Eternas dos Imortais.
Refiro-me novamente à Cruz Inscrita e à Roda da Vida.
Mas o que acontece com o homem contemporâneo,
enfatizando-se que não é mais apenas a sua vida
que está em risco, mas a vida de todo o planeta?
Sente-se então esse homem um pobre diabo,
impotente diante da brutalidade daqueles que seriam
os maiores responsáveis por essa destruição maciça e negligente
dos recursos naturais. Outros ainda, fazem "tudo o que podem",
mas apenas o suficiente para satisfazerem suas próprias
"consciências" e não "por acaso" mal acreditando que suas atitudes
possam exercer uma efetiva "diferença" à essa altura do processo
de degeneração da atuação da humanidade sobre o planeta.
Nota-se que eu acentuei "diferença".
Fala-se muito em "diferença" mas a ideia correta seria "soma".
Ou, em outras palavras, queremos ser diferentes para somar-nos.
Integrar-nos. Pois se o homem pode, mesmo crucificado
e entregue à maior liberdade que é o presente momento,
vislumbrar-se do alto de seu destino e perceber
que não está à parte da humanidade,
mesmo sofrendo e cuspido e isolado em seus sentimentos
terá compaixão por esta humanidade,
terá compreensão de que a unidade
é mais do que um conceito científico transcrito
pela atualidade como grande novidade, mas o calvário implícito,
pois todos pereceremos sob este grande Sol esfolados,
todos seremos devorados pelos vermes e pelos abutres da fome, todos.
Do que vale agregar-se à momentos de alegria hostil?
Saia da periferia de seus sentimentos.
A maior dádiva do tempo é a compaixão:
compartilhamos da mesma doença, somos humanos,
e a crença geral é que não temos mesmo mais jeito...
O pessimismo não passa de um egoísmo tolo e infantil.
Estamos atravessando novamente a linha do tempo,
a Nova Era que se anuncia é a de Aquário e seus mananciais espirituais.
2012, virá. Atravessaremos novamente a Linha de Fogo.
Lá onde o tempo se consome e se renova,
perene impermanência imanente.
Somos seres em evolução planetária intensa.
A solução está no sangue que alimenta nossas veias.
Quem se contenta em não se questionar perecerá em um mar de mágoas.
Preso no conceito do tempo linear tentará encontrar em vão a chave para perdoar-se.
Cada irmão salvo cantará como um só coro de otimista sabedoria.
Conhecimento é algo específico,
nem sempre voltado para a verdadeira sabedoria,
e se é, baseia-se num passado de rastros arqueológicos
e mitos sem sentido. O homem antigo sabia das coisas.
Mas o homem de hoje em dia esqueceu de procurar saber.
Está em você. A capacidade de lançar-se é crer.
Teu Destino Vivo em Consonância Cósmica!
Como não ter fé que tudo que for possível será feito?
Com efeito, estamos recrutando-nos à tempo.

Observe seus pensamentos.

Nossa milícia é a paciência com que as pessoas
devem olhar para si mesmas e uma para as outras.

Estamos mudando rapidamente.
O mundo está mudando rapidamente!
A paciência é a Ciência da Paz!


Namastê!

29 de out de 2011

15. Condicionamento

Zen Tarot Card


A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade. Personalidade é conveniência social. A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha.

A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? Apenas os leões andam sós. Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente. A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade.

A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.

Osho One Seed Makes the Whole Earth Green Chapter 4

Comentário:

Esta carta lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo.

Muitos de nós somos como esse leão - a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade.

É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente - tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você.


26 de out de 2011

A Alquimia da Experiência


- Radha Burnier -

A vida é um processo alquímico contínuo. Todas as experiências pelas quais cada um de nós passa têm potencial para facilitar as transmutações da consciência. De fato, a vida significa transmutação, que muitas vezes ultrapassa nossos conceitos e imaginação. No nível físico, forças invisíveis estão transformando continuamente formas e substâncias de maneiras misteriosas. Na maiorias das vezes, estamos inconscientes dessas modificações dinâmicas, que diferenciam a vida da inércia do não-ser.

O nascimento de um sapo é um exemplo do onipresente processo alquímico. Após terem estudado seus vários estágios, os cientistas o descreveram da seguinte maneira: “O sapo coloca seus ovos no que parece uma espuma; cada ovo se divide em dois, depois em quatro e assim por diante. Primeiro surge uma pequena boca; depois aparece uma depressão com a forma do trato intestinal. Em poucas semanas, em progressão ordenada, formam-se as pernas e as outras partes do corpo. O processo foi filmado; visto em movimentação rápida, parecia que algumas células eram tiradas, outras introduzidas e o corpo inteiro formado por ‘mãos invisíveis’.”

A literatura oculta diz que realmente há mãos invisíveis ajudando a criação: as das inteligências menores, que as pessoas chamam de fadas. Além disso, há uma mente trabalhando por trás desse desenvolvimento maravilhoso, que ocorre com cuidadoso planejamento. Ele não pode ser explicado apensa pelo mérito dos genes, porque isso só anteciparia a pergunta: o que dota os genes de poder? Em milhões de árvores e plantas também ocorre, o tempo todo, a transmutação invisível. Externamente vemos o crescimento, a floração e a frutificação. Água, minerais e outros nutrientes absorvidos pelas plantas são transformados em energia essencial à vida física, ao crescimento e à reprodução.

É muito admirada a transformação da lagarta em borboleta, mas poucos sabem o que ocorre dentro do casulo – o que é fantástico, porque os órgãos e os tecidos da lagarta são descartados e uma estrutura completamente nova se desenvolve. Esse é um fenômeno que os cientistas não compreendem. Os órgãos não se desintegram como num corpo morto, mas por meio da atividade dos corpúsculos das plaquetas brancas do sangue (que normalmente atacam as bactérias perigosas que invadem o corpo). Dentro do próprio corpo da lagarta, os tecidos da larva são devorados; ao mesmo tempo, novos órgãos surgem. Como no sapo, essa transformação prossegue passo a passo, indicando um plano, uma mente trabalhando.

A compreensão de que a vida é um processo alquímico, em níveis físicos ou sutis, interfere na maneira como vivemos nossa existência. Cada experiência pela qual passamos tem um papel no processo de transmutar a consciência, o objetivo que está delineado no Plano Divino. Algumas vezes pode-se observar a transformação interna, mas na maioria dos casos ela ocorre de forma oculta. (...)

Quando morreu seu irmão, Krishnamurti derramou lágrimas amargas. Porém, após alguns dias o sofrimento foi transmutado numa profunda compreensão da perda, da morte e do apego, que o encheu de radiante felicidade. Talvez esses sejam casos excepcionais, mas, assim como a cada dia os materiais retirados do solo pela planta são transmutados em seiva, até mesmo as experiências comuns são transmutadas em sabedoria que expande a alma, quando há uma real atenção ao que está ocorrendo. O Dhammapada diz que a inconsciência é uma forma de morte. A conscientização é um processo de renovação constante, sem o qual a vida não é vida.

Extraído da Revista The Theosophist, de julho de 1999
Tradução: Izar G. Tauceda, MST Loja Jehoshua, Porto Alegre, RS

10 de out de 2011

- Manifesto -

a pele
as linhas
as cores
inexatas
o contorno
sistemático
que te traça
no espaço
a carne
que te imprime
o passo
desenho de vias
e acessos
tecitura
de pelos
arquitetura
movediça
inteiro
indivíduo
e ainda assim
extenso planalto
de divisas
teu corpo
é um mapa
que te abre
no tempo,
manuscrito
de invisíveis
aonde debruço
telescópios
à procura


17 de set de 2011

- Aceitação -


O amor é a linguagem, e a linguagem do amor é silenciosa.

Quando dois amantes estão em profunda harmonia, quando suas vibrações estão simplesmente sincronizadas uma com a outra no mesmo comprimento de onda, então há o silêncio, então os amantes não gostam de conversar. Quando você está num profundo amor, pode segurar a mão do seu amado ou amada, mas permanecerá em silêncio... em completo silêncio, sem nem sequer uma ondulação. Nesse lago sem ondulações da sua consciência, algo é transmitido, a mensagem é dada. Trata-se de uma mensagem sem palavras. 

O Tantra diz que a pessoa precisa aprender a linguagem do amor, a linguagem do silêncio, a linguagem da presença um do outro, a linguagem do coração, a linguagem das entranhas. Nós aprendemos uma linguagem que não é existencial, uma linguagem alienígena; utilitária, é claro, que preenche um certo propósito, mas no que se refere a investigação mais elevada da consciência ela é uma barreira. No nível mais baixo, tudo bem; é claro que no dia-a-dia você precisa de uma certa linguagem, e o silêncio não servirá. Mas quando você se move mais fundo e mais alto, a linguagem não servirá. 

O Tantra diz para aceitar tudo o que você é. Você é um grande mistério de muitas energias multidimensionais; aceite isso e se porte com cada energia com uma profunda sensibilidade, com consciência, com amor, com compreensão. Mova-se com ela! Então cada desejo se torna um veículo para ir além, cada energia se torna uma ajuda; então este mesmo mundo é o nirvana e este mesmo corpo é um templo, um templo sagrado, um lugar sagrado. 

O Tantra diz que não existe nenhuma dualidade. Se existir a dualidade, você não pode uní-las e, não importa quanto você tente, elas permanecerão duas; não importa como você as una, elas permanecerão duas e a luta continuará, o dualismo permanecerá. O Tantra diz que não há dualidade, que ela é apenas uma aparência. Portanto, por que ajudar a aparência a se fortalecer? O Tantra pergunta por que ajudar essa aparência a de dualidade a se fortalecer? Dissolva-a neste exato momento! Seja UM! Através da aceitação você se torna UM, e não através da luta. Aceite o mundo, aceite o corpo, aceite tudo o que for inerente a ele. Não crie um centro diferente em você mesmo, pois para o Tantra esse centro diferente nada mais é do que o ego. Não crie um ego e simplesmente fique consciente do que você é. Se você lutar, então o ego estará presente. O Tantra diz para não lutar! Então não há possibilidade para o ego... Se entendermos o Tantra, haverá muitos problemas, porque para nós, se não houver luta, haverá apenas permissividade. Para nós, nenhuma luta significa permissividade. Mas para o Tantra a permissividade então é a “nossa” permissividade. O Tantra diz para ser permissivo, mas com consciência. 

Você está com raiva... O Tantra não dirá para não ficar com raiva, mas para ficar inteiramente com raiva, mas esteja consciente. O Tantra não é contrário a raiva, mas é apenas contrário ao estado de sono espiritual e à inconsciência espiritual. Esteja consciente e esteja raivoso, e este é o segredo do método: se você estiver consciente, a raiva é transformada e se torna compaixão. A mesma raiva, a mesma energia, se tornará compaixão. Se você lutar com ela, não haverá possibilidade de acontecer a compaixão. Não haverá raiva porque você a reprimiu, mas também não haverá nenhuma compaixão, porque somente a raiva pode ser transformada em compaixão.

O Tantra diz que essas mesmas energias dever ser transformadas; em outra palavras: se você for contra o mundo, não haverá nirvana, porque esse mesmo mundo é o que deve ser transformado no nirvana. Então você estaria contra as energias básicas que são a fonte. Dessa maneira, a alquimia tântrica diz para não lutar, para se amigável com todas as energias que lhe foram dadas. Acolha-as, sinta-se grato por você sentir raiva, por você ter sexo, por você ter ganância. Sinta-se grato porque essas são as fontes ocultas, e elas podem ser transformadas, podem ser abertas. E, quando o sexo é transformado, ele se torna amor, e o veneno desaparece, o que é feio desaparece. A semente é feia, mas quando se torna viva, ela brota e floresce, e então há beleza. 

Para o Tantra, tudo é sagrado. Lembre-se disto: para o Tantra tudo é sagrado, nada é profano. Olhe para isso desta maneira: para uma pessoa irreligiosa, tudo é profano; para uma pessoa pretensamente religiosa, uma coisa é sagrada e outra é profana. O Tantra diz que tudo é sagrado, e é por isso que não podemos entendê-lo. Ele é o ponto de vista não-dual mais profundo – se pudermos chamá-lo de ponto de vista. Ele não é, porque todo ponto de vista fatalmente é dual. Ele não é contra coisa alguma; portanto, não é um ponto de vista, mas uma unidade sentida, uma unidade vivida.

(Osho – partes extraidas do Tantra, O caminho da aceitação)

11 de set de 2011

Igne Natura:


Com o fogo terrível do Amor podemos 
transformar-nos em Deuses para penetrarmos 
cheios de majestade no Anfiteatro da Ciência Cósmica. .

9 de set de 2011

_OB & OD_


Existem duas correntes (ou canais) de energia na entidade humana. Essas correntes estão associadas ao sistema nervoso central e à medula espinhal. Podemos nos referir a essas correntes como Lunar e Solar, ou Feminina e Masculina (receptiva/negativa e ativa/positiva). Essas polari­dades indicam energias bioeletromagnéticas e não se referem aos sexos.

As correntes Lunar e Solar se manifestam no corpo como os ramos esquerdo e direito das estruturas nervosas dos gânglios. O lado esquer­do é feminino/lunar e o direito é masculino/solar.

Infelizmente, por séculos a sexualidade tem evocado sentimentos de culpa e vergonha, graças em grande parte à moralidade judaico-cristã. Essa mentalidade serviu para negar (na maioria das pessoas) a função natural das correntes lunar e solar. Uma das metas da magia sexual é libertar a expressão da sexualidade dos sentimentos inibitórios e negativos. Uma vez atingida essa meta, pode-se restaurar a harmonia dessas correntes.




A Corrente do Deus e Corrente da Deusa se originam no Centro Básico ou Centro de Energia (base da coluna), cruzando-se no Centro do Coração e no Centro Psíquico ou Frontal. A Corrente do Deus é positiva e ativa no plano físico e mental e negativa e receptiva no plano psíquico e espiritual, é solar e representa a corrente nervosa do lado direito da coluna vertebral. Já a Corrente da Deusa é negativa e receptiva no plano físico e mental e positiva e ativa no plano psíquico e espiritual, sendo regida pela Lua e representa a corrente nervosa do lado esquerdo da coluna vertebral.

O perfeito equilíbrio entre as duas correntes influi na secreção das glândulas endocrinas, que estão associadas aos oito principais Centros de Poder. Na realidade, o bom funcionamento desses centros proporciona um bom funcionamento dessas glândulas, o que nos mostra que a grande maioria das doenças que nos assalta é proveniente de distúrbios energéticos, podendo ser tratadas facilmente pela medicina alternativa e resolvidas sem efeitos colaterais.

Na pessoa comum, atualmente, apenas uma das correntes de ener­gia está aberta e fluindo. A contra-corrente está normalmente inibida e suprimida, gerando desarmonia (des-conforto) no corpo físico. Isso tam­bém causa uma influência negativa no equilíbrio endócrino. Na mulher não treinada, apenas a corrente lunar flui desimpedida, e no homem não treinado apenas a corrente solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. O fluxo harmonioso das cor­rentes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu. Esse estado natural elimina a desarmonia (des-conforto) no corpo, e é por isso que o Caduceu simboliza a saúde em nossa sociedade atual.

Nos Ensinamentos Misteriosos, o estado sexual natural é o da bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas e em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina, portanto nosso sexo é meramente uma circunstância da dimensão física. A atitude que demonstramos acerca da polaridade dos sexos na qual nossas almas residem é moldada em grande parte pelo nosso meio social. Devemos ter em mente, no entanto, que o sexo pode ser uma manifestação do Karma da alma individual.

No Ocultismo Ocidental, a polaridade masculina é positiva-ativa nos planos físico e mental, e negativa-receptiva nos planos psíquico e espiritual. A polaridade feminina é negativa-receptiva nos planos físico e mental, e positiva-ativa nos planos psíquico e espiritual. As genitálias femininas são magnéticas, lunares e receptivas. As genitálias masculinas são elétricas, solares e ativas. Em ambos os sexos, a mão direita é solar, ativa e elétrica. A mão esquerda é lunar, receptiva e magnética. Daí o porquê de, durante rituais, sempre recebermos com a mão esquerda e enviarmos com a mão direita.

Todas as criaturas vivas emitem uma energia que pode ser chamada de campo biomagnético. A interação dos quatro elementos cria uma matriz astral que conecta a alma ao corpo físico. A terra elemental ali­menta a alma e preserva sua vitalidade, o ar fornece equilíbrio e harmo­nia, o fogo contribui com o que é construtivo para a alma e a água anima. Sem essa energia, a alma não poderia residir na matéria física por muito tempo. Essa energia biomagnética é também o que atrai a alma de volta ao corpo em casos de projeção astral.

A energia metafísica do magnetismo mágico é melhor ilustra­da pelo glifo do Caduceu Mágico de Hermes. Nesse símbolo, a polaridade das forças do magnetismo mágico é representada pelas correntes OB e OD.




OB é a corrente lunar; OD, a solar. AOUR representa o que é manifesto no equilíbrio dessas duas correntes, o fogo da polaridade quando OB e OD coexistem harmoniosamente. O segredo do magnetismo na magia repousa no perfeito equilíbrio que se manisfesta como a força criativa de AOUR.

Quando contextualizado com as técnicas da magia sexual, o AOUR simboliza a coluna vertebral, enquanto OB e OD representam as cor­rentes nervosas esquerda e direita ao lado dela, as quais influem na secreção das glândulas endócrinas. Quando ativadas, essas correntes mágicas liberam o poder da serpente que reside na base da espinha. Isso desperta esse centro de poder, o qual reage ao impulsionar uma corrente de energia para cima, ao longo de OB e OD. Isso resulta na manifestação da chama que arde em AOUR (a consciência despertada).


21 de mai de 2011

'Magnificat'

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?

Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?


 É esse! É esse!

Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;

E então será dia.

Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!

Álvaro de Campos, 7-11-1933 

4 de mai de 2011

70. Orientação

Zen Tarot Card

Tirar uma carta?

Você sente necessidade de procurar orientação, porque não sabe que o seu guia interior está escondido dentro de você. É necessário encontrar esse guia interior, que eu chamo de "a sua testemunha". Chamo também de "o seu dharma", seu buda intrínseco. É preciso acordar esse buda, e a sua vida será banhada de bênçãos, de graças. Sua vida tornar-se-á radiante de bem, de divindade, muito mais do que você seria capaz de imaginar.

É quase como luz. Se o seu quarto está escuro, basta trazer luz. Até uma pequena vela servirá: toda a escuridão desaparece. Tendo uma vela, você saberá onde fica a porta. Não precisará pensar: "Onde está a porta?". Só quem é cego pergunta onde está a porta. Gente que tem olhos e dispõe de luz nem pensa nisso. Alguma vez você já se perguntou onde fica a porta...!? Você simplesmente levanta e sai. Não dedica um pensamento sequer a semelhante questão. Nem começa a tatear procurando a porta, ou a bater a cabeça contra a parede. Você simplesmente vê, e não existe nem mesmo um lampejo de pensamento: você simplesmente sai.

Osho God is Dead: Now Zen is the Only Living Truth Chapter 7

Comentário:

A figura angelical que aparece nesta carta, com asas coloridas como o arco-íris, representa o guia que cada um de nós traz dentro de si. Como acontece com a segunda figura, no plano de fundo, algumas vezes nós podemos relutar em confiar nesse guia quando ele se manifesta, porque estamos acostumados a receber nossos "sinais" mais do mundo exterior do que de dentro de nós mesmos.

A verdade do seu próprio ser mais profundo está tentando mostrar-lhe o caminho a seguir neste exato momento, e, quando esta carta aparece, significa que você pode confiar na orientação interior que lhe está sendo dada. Esta orientação vem por meio de sussurros, e algumas vezes podemos hesitar, sem saber se compreendemos corretamente.

As indicações, porém, são claras: seguindo o seu guia interior você se sentirá mais pleno, mais integrado, como se estivesse se movimentando a partir do centro do seu próprio ser. Se você a acompanhar, essa célula de luz o conduzirá exatamente para onde você precisa ir.

27 de abr de 2011

Consciente Coletivo

 SI MESMO 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Nota: Para outros significados de "Self", consulte Self (desambiguação).
Si mesmo (ing. self, al. Selbst) é um termo que tem uma longa história na psicologia. William James, um dos pais da psicologia, distigue em 1892 entre o "eu", como a instância interna conhecedora (I as knower), e o "si mesmo", como o conhecimento que o indivíduo tem sobre si próprio (self as known)[1]. Baumeister (1993), partindo da definição de James e do trabalho de C. H. Cooley, propõe que o "si mesmo" se baseia em três experiências básicas do ser humano[2]

1. a consciência reflexiva, que é o conhecimento sobre si próprio e a capacidade de ter consciência de si.
2.a interpessoalidade dos relacionamentos humanos, através dos quais o indivíduo recebe informações sobre si;
3.a capacidade do ser humano de agir.

    Esse conhecimento que o "eu" tem sobre "si mesmo" tem dois aspectos distintos: por um lado, um aspecto descritivo chamado autoimagem e por outro, um aspecto valorativo, a autoestima[3].

    O Si-mesmo em Jung

    Muito conhecido é o uso jungiano do termo. Segundo Carl Gustav Jung, o principal arquétipo é o Si mesmo (ou Self). O Si mesmo é o centro de toda a personalidade. Dele emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o ordenador dos processos psíquicos. Integra e equilibra todos os aspectos do inconsciente, devendo proporcionar, em situações normais, unidade e estabilidade à personalidade humana. Jung conceituou o Si mesmo da seguinte forma:

    O Si mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade. A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, exatamente, com ou sem a concordância do sujeito, quer tenha consciência do que acontece, quer não."


    O arquétipo do si-mesmo, portanto, se manifesta no ser humano principalmente pela via dos instintos. No entanto, certos eventos aparentemente não instintivos e externos ao ser, como alguns tipos de fenômenos psicocinéticos que foram registrados por Carl Jung, assim como as sincronicidades, são também associados à quantidade energética do arquétipo envolvido, que invariavelmente deriva de uma ou outra forma do arquétipo central. Deste modo o si-mesmo pode atuar diretamente sobre a estrutura material e espaço-temporal da natureza, e por este motivo este núcleo arquetípico se confunde com a fonte da ordem física da natureza
    (Rocha Filho, 2007).

    Os símbolos do Si mesmo geralmente ocorrem quando de alguma crise de vida, de um obstáculo com o qual o indivíduo não sabe lidar. Então, ele pode ocorrer nos sonhos ou em outros eventos simbólicos na forma de figuras transcendentais, ilustres personalidades, a "voz" de Deus, etc., ou figuras geométricas, normalmente na forma de mandalas, como a que se encontra abaixo:

       
    Ver Referências em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Si_mesmo

    25 de abr de 2011

    Eternamente Pessoa

    Não sei quantas almas tenho.

    Cada momento mudei.
    Continuamente me estranho.
    Nunca me vi nem acabei.
    De tanto ser, só tenho alma.
    Quem tem alma não tem calma.
    Quem vê é só o que vê,
    Quem sente não é quem é,
    Atento ao que sou e vejo,
    Torno-me eles e não eu.
    Cada meu sonho ou desejo
    É do que nasce e não meu.
    Sou minha própria paisagem;
    Assisto à minha passagem,
    Diverso, móbil e só,
    Não sei sentir-me onde estou.
    Por isso, alheio, vou lendo
    Como páginas, meu ser.
    O que sogue não prevendo,
    O que passou a esquecer.
    Noto à margem do que li
    O que julguei que senti.
    Releio e digo: “Fui eu?”
    Deus sabe, porque o escreveu.




    Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
    Coisas da alma e da vida em confusão,
    Nesta mistura atribulada e calma
    Em que não sei se durmo ou não.
    Sou dois seres e duas consciências
    Como dois homens indo braço-dado.
    Sonolento revolvo omnisciências,
    Turbulentamente estagnado.
    Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
    Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
    Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois
    De quê, esta vaga saudade?




    Há doenças piores que as doenças,
    Há dores que não doem, nem na alma
    Mas que são dolorosas mais que as outras.
    Há angústias sonhadas mais reais
    Que as que a vida nos traz, há sensações
    Sentidas só com imaginá-las
    Que são mais nossas do que a própria vida.
    Há tanta coisa que, sem existir,
    Existe, existe demoradamente,
    E demoradamente é nossa e nós...
    Por sobre o verde turvo do amplo rio
    Os circunflexos brancos das gaivotas...
    Por sobre a alma o adejar inútil
    Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
    Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.




    Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
    E antes magnólias amo
    Que a glória e a virtude.
    Logo que a vida me não canse, deixo
    Que a vida por mim passe
    Logo que eu fique o mesmo.
    Que importa àquele a quem já nada importa
    Que um perca e outro vença,
    Se a aurora raia sempre,
    Se cada ano com a Primavera
    As folhas aparecem
    E com o Outono cessam?
    E o resto, as outras coisas que os humanos
    Acrescentam à vida,
    Que me aumentam na alma?
    Nada, salvo o desejo de indiferença
    E a confiança mole
    Na hora fugitiva.




    É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou.
    Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio.
    Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida.
    Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e,
    com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança.
    Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são 'desconhecidas',
    simbólicas do Desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente.
    Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo ambiente que me cercou a infância,
    pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências),
    por tudo isto meu caráter é da espécie interiorizada, concentrada,
    muda, não auto-suficiente, mas perdida em si mesma.
    Toda a minha vida tem sido de passividade e de sonho.


    - FERNANDO PESSOA -