4 de nov de 2011

Hilda_Hilst


“Daqui onde estou posso ouvi-lo 
pensando da lucidez de um instante 
à opacidade de infinitos dias, 
posso ouvi-lo pensando 
nas diversas formas de loucura e suicídio. 
A loucura da busca, 
essa feita de círculos concêntricos 
e nunca chegando ao centro, 
a ilusão encarnada ofuscante 
de encontrar e compreender. 
A loucura da recusa, 
de um dizer tudo bem, 
estamos aqui e isto nos basta, 
recusamo-nos a compreender. 
A loucura da paixão, 
o desordenado aparentando ser luz na carne, 
o caos sabendo à delícia, 
a idiotia simulando afinidades. 
A loucura do trabalho e do possuir. 
A loucura do aprofundar-se 
depois olhar à volta e ver o mundo 
mergulhado em matança e vaidade, 
estar absolutamente sozinho no mais profundo.
Amós está? Daqui onde estou posso ouvi-lo
pensando como devo matar-me? 
Ou como devo matar em mim 
as diversas formas de loucura 
e ser ao mesmo tempo 
compassivo e lúcido, 
criativo e paciente, e sobreviver?”


http://www.hildahilst.com.br/

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